sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Análise Automática do Discurso (AAD-69) - Parte II


Александр Македонский - Pexels.

Continuando a discussão acerca da Análise Automática do Discurso, publicação de Michel Pêcheux de 1969, esta segunda parte do texto entra de fato na obra, após suas bases serem lançadas em dois artigos de Thomas Herbert, pseudônimo de Pêcheux, conforme visto anteriormente.

 
A AAD-69

O livro de Pêcheux de 1969 é um texto fundador de uma área de conhecimento em expansão até hoje. Na época, era uma proposta ousada: a de fazer com que algoritmos realizassem uma leitura não-subjetiva de discursos (não entendido como uma fala de autoridade, mas sim como efeito de sentido).

Hoje parece banal falar em computação e algoritmos, mas o que havia dessa tecnologia no final dos anos 1960? Existiam computadores, mas eles só foram se popularizar décadas mais tarde, muito em parte por decorrência do Apple II, de 1977. Pêcheux parecia, com isso, alguém à frente de seu tempo. E com diversas influências: da política, da filosofia, da linguística, da computação, da psicanálise. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Análise Automática do Discurso (AAD-69) - Parte I

The Procession of the Trojan Horse in Troy - Giovanni Domenico Tiepolo (circa 1760).

O projeto da Análise Automática do Discurso (também chamada de AAD-69) foi um primeiro momento na história do percurso dos estudos discursivos. Conforme visto no post anterior, este é um blog focado na Análise de Discurso (AD) de linha francesa -- também chamada materialista --, e, sendo assim, é válido começar a discussão sobre a área desde o início, conforme será contado nesse post. Para tanto, este texto recupera uma bibliografia de interesse com o tema que será disposta conforme for citada, bem como um guia de leitura ao final da segunda parte.

Atenção: os comentários feitos nos textos citados são superficiais e têm a finalidade de resgatar apenas as ideias principais, de modo algum substituem a necessidade de leitura dos originais.

Além disso, a discussão vem a calhar, já que em 2019 a Editora Pontes publicou a AAD-69, de Michel Pêcheux, na íntegra no Brasil. Até então, o que havia era apenas parte do texto, em conjunto a outros artigos de autores franceses, no livro Por Uma Análise Automática do Discurso, organizado por Françoise Gadet e Tony Hak. Para celebrar os 50 anos da primeira publicação, pela primeira vez o público pode ter acesso à obra Análise Automática do Discurso. Como se verá adiante, uma obra não substitui a outra, elas se complementam. Mas até chegar nisso, é preciso passar por um breve período antes de 1969.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Análises e Discursos: múltiplas abordagens

Steve Johnson, via Pexels

Então você se interessou por Análise de Discurso (daqui em diante chamada de AD). Ou se viu obrigado a entender, por ser estudante de Letras ou Linguística. Ou, ainda, é apenas uma pessoa curiosa de outra área. Tanto faz se você nunca ouviu falar a respeito, se já conhece algo ou se já é experiente no ramo. Este post tem como finalidade trazer alguns apontamentos sobre a área de estudos do discurso. Como é o primeiro do blog, seria interessante comentar acerca da origem da AD.

Porém, você deve ter notado pelo endereço que este não é apenas um blog de AD -- é um blog de AD materialista. Também chamado de pecheutiana ou de linha francesa. E fazer essa diferenciação é importante do ponto de vista teórico, já que diferentes ADs observam seus objetos de diferentes maneiras.

- Então tem mais de uma AD?!
- Sim...


Falar da AD de Michel Pêcheux significa que foi ele quem lançou as bases para tal área de pesquisa dentro da linguística. Mas não significa que nunca se falou de análise de discurso antes dele. E nem que não houvesse quem falasse de AD depois dele, dando outros sentidos para além do conceito original. Eis o propósito deste texto, bem como comentar muito brevemente sobre os outros ramos de estudos discursivos.